Archive for the Poemas Category

o último verso dele

Posted in Poemas on September 1, 2009 by rafarelax

florbela espanca

“quem diria que um dia eu cairia por uma menina de cabelos vermelhos. da minha pele debaixo das tuas unhas ao respingo de sangue na parede eu me sinto hoje parte de ti. você é minha obra de arte, moldada ao meu modo e eu pigmalião, me apaixonei pelo que esculpi. você é minha versão mais gostosa, minha coelha. não há tempo ou distância que nos separem. somos um, pro eterno.”

Adorei essas linhas, devo confessar. Pelo menos as palavras são imortais e sobrevivem à distância,  indiferença e à dor. Triste mesmo é o ser poético ser tão distante do ser real. E eu  cansei. Dos dois, de nós dois.

 

Ariel ( R e L)

Posted in Poemas on August 2, 2009 by rafarelax

 

R e L

R e L

Reclusa numa concha marcada e grossa 

No canto em que o canto é o único que conta

E o barulho velado no rubro corpo vibrante não altera nem mesmo uma fitada de superfície-

Ela continua assim: soberana, à vontade;

No direito de prender ,assustar, berrar e bater

-Mas não renega

É fraca e covarde que nem quebra, nem fere e nem marca quem a cutucou,

Só consegue assistir, pensa “ilesa”,

O Sentido antes claro e firme

Fugir astuto num rompante bruto para longe de si.

Tenta alcançar, pula da areia, corre pro mar

Mas o sal e a água -brincalhões como ninguém

Riem-se da vontade de nadar que a menina de concha tem

E convencem-na de que lá embaixo,

-Onde a pressão é companheira-

é que se encontra plenitude verdadeira.

Sem muita inquietude, ela deixa-se afundar

-Reconforta-se com asneira .

Ao contrário do que possa parecer

Escárnio e maldizer não a fizeram fenecer

E bem devagarzinho, onde a luz não mais se vê

Ela foi se abrindo, com havia de ser

E lá de longe, sorrindo, ele a permitiu florescer.

caio fernando abreu

Posted in Poemas on April 22, 2009 by rafarelax

 

 

 

 

Ah, fumarás demais, beberás em excesso

Aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas

Noites e noites a fio permanecerás insone

A fantasia desenfreada, o sexo em brasa

Dormirás dias adentro, noites afora

Faltarás ao trabalho, escreverás cartas que nunca serão enviadas…

Consultarás búzios, números, cartas e astros

Pensarás em fugas e suicídios

-em cada minuto de cada novo dia-

Chorarás desamparado atravessando madrugada em tua cama vazia

Não conseguirás sorrir, nem caminhar

-Alheio pelas ruas-

Sem descobrires em algum jeito alheio

– O jeito exato dele-

Em algum cheiro estranho, o cheiro preciso dele

 

 

 

 

Réquiem

Posted in Poemas, Uncategorized on March 16, 2009 by rafarelax

1/10/06

 

Aqui, do tumulto da sarjeta

Onde a revoada se perde na fumaça fétida e preta

Não se vê nem o pé da alvorada

Porque a grade trancou os olhos

Que antes faiscavam com um simples suspiro

 

Daqui emana o ar cético que a poeira consome

Dos cérebros derretidos que gotejam fios de dor

Pela falta que o brilho e o abstrato faz

 

Aqui, a carruagem de esperança

Passou levando os restos de coragem

Que me apoiaram no início da viagem

E que quase agora me mostravam os cantos agressivos da vitória

 

Aqui, no vazio em que me meti

Não vejo mais o som do silêncio

Não sinto mais o cheiro da brisa

Que um dia me tocou com tanto gozo

Não escuto mais o gosto de tuti-fruti

Das manhãs ensolaradas em que te tinhas entranhada em minha pele

 

E sem teus furos, teu sabor e tua força

O meu cadáver não quer mais seguir pra ilusão

Fujo de vez contigo –minha heroína

Quebro as grades desse túmulo que cavei com minhas próprias mãos

E te levo comigo pra sempre

Pro meu céu que é longe daqui – essa prisão.

Ouvindo Na Veia- Cordel do Fogo Encantado

requiem

Michelangelo´s Lusory

Posted in Poemas on March 13, 2009 by rafarelax

1/10/2006

Sitting here in the edge of my grey cloud

I watch over your sleeping body

That threatens me more than any thunder

My poor sick mind can ever throw.

 

Although your weakness arouses my finest instincts of anger

My stoned heart freezes the fingers ready to blow you up

With the simple memory of your sacred lips

Cursing the spread of my wings.

 

When poetry fell dead in my paralyzed starless sky

You came breaking the static with your golden ink

Painting my grey cloud,

Changing me softly and loud.

 

When I thought nothing would ever go wrong

You came all the way to shake me off my stoic calm,

– you couldn´t even fly-

Breaking into my cloud with your lousy sound.

 

But then you turned your eyes from me

Put the spot on someone else

I didn´t do a damn

I wanted to shoot right through your hat

And to erase any track of you that still remained in my head

 

I would not need anybody else by my side

To spread your ashes towards hell

I would do it with my own wings

– the ones you once tried to cut-

 

As I clean the dirt on my way up

-Oh no! Who would guess you turned out to be a phoenix?-

I´m forced to watch you reborn

and fly back home to my cloud no longer grey

You lay down by my side waiting for the moment

I will rip your fake wings and throw you away.

je ne regrette rien

Posted in Poemas on March 4, 2009 by rafarelax

angel

Congela teu cheiro doce de jasmim

Memoriza e grava teu eterno eu dentro de mim

Enlaça o sorriso mais sincero que te marcou

E guarda naquele céu que tantas vezes me levou…

 

Me conta de novo que sou eu o motivo

E que sem mim não sabe a graça e o valor de estar vivo…

Me fala como a vida deve ser bonita

E o quanto você quer cuidar da Anita…

 

Apaga o pó que ficou em mim

Daquele ‘spot on someone else’

Queima em você o joio que restou

E não dê trela, deleta do seu computador

 

Se não agora e aqui… pra todo sempre destinado

Se não o corpo aninhado… a alma de ti entranhada

Se não feliz na caminhada… de ti minha cabeça segue estagnada

Se não o amor verdadeiro… a melhor mentira vivenciada.

 

 

recordar é viver?

Posted in Poemas on February 2, 2009 by rafarelax

Song of Chaos

This silence is now
Just freaking me out;
I wish I was deaf
So it passed by unnoticed.
They say rock is dead:
what the hell do they know?
It’s like you waked me up,
And started your little show
Before pulling the trigger.

There is no worthy song
To be played, without you
Here saying it is so.
The night tonight is mute.
No more drum’n’bass
Since you left
Your electro-pop
1984’s robot
Drinking with no song
On a dancefloor all alone.

Come back to our pound;
We’ll make some noise,
Recreate the indie sound.
I’ll pretend I’m asleep
So you can wake me to shoot,
And I can take another look
At the shadows of your big black eyes;
Watch your red lipstick smile
As you blow the smoke out the gun.
As the bullet reaches my stopped heart
I’ll feel the beats once again,
and the sound of death
will bring me back…
to life.

Just come home baby of mine,
‘Cause the darkness of our love is fading away.
On the path through wich you left,
Stars are all quiet tonight,
Like if there’s no reason to spark.
The moon just fell like a comet!
I’m not saying I don’t like it:
This whole scenario decay!
But I fear the end of the world is near,
And if you’re not here with me…
I won’t listen to this great
Song of Chaos.

by Israel Son ( www.squaremoon.blogspot.com)

 

ouvindo ‘nothing as it seems’ –  pearl  jam Continue reading