Ariel ( R e L)
R e L
Reclusa numa concha marcada e grossa
No canto em que o canto é o único que conta
E o barulho velado no rubro corpo vibrante não altera nem mesmo uma fitada de superfície-
Ela continua assim: soberana, à vontade;
No direito de prender ,assustar, berrar e bater
-Mas não renega
É fraca e covarde que nem quebra, nem fere e nem marca quem a cutucou,
Só consegue assistir, pensa “ilesa”,
O Sentido antes claro e firme
Fugir astuto num rompante bruto para longe de si.
Tenta alcançar, pula da areia, corre pro mar
Mas o sal e a água -brincalhões como ninguém
Riem-se da vontade de nadar que a menina de concha tem
E convencem-na de que lá embaixo,
-Onde a pressão é companheira-
é que se encontra plenitude verdadeira.
Sem muita inquietude, ela deixa-se afundar
-Reconforta-se com asneira .
Ao contrário do que possa parecer
Escárnio e maldizer não a fizeram fenecer
E bem devagarzinho, onde a luz não mais se vê
Ela foi se abrindo, com havia de ser
E lá de longe, sorrindo, ele a permitiu florescer.

November 1, 2009 at 12:03 am
E eu nem tenho um verso seu…